A mão da limpeza
Gilberto Gil
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O branco inventou que o negro
Quando não suja na entrada
Vai sujar na saída, ê
Imagina só
Vai sujar na saída, ê
Imagina só
Que mentira danada, ê
Na verdade a mão escrava
Passava a vida limpando
O que o branco sujava, ê
Imagina só
O que o branco sujava, ê
Imagina só
O que o negro penava, ê
Mesmo depois de abolida a escravidão
Negra é a mão
De quem faz a limpeza
Lavando a roupa encardida, esfregando o chão
Negra é a mão
É a mão da pureza
Negra é a vida consumida ao pé do fogão
Negra é a mão
Nos preparando a mesa
Limpando as manchas do mundo com água e sabão
Negra é a mão
De imaculada nobreza
Na verdade a mão escrava
Passava a vida limpando
O que o branco sujava, ê
Imagina só
O que o branco sujava, ê
Imagina só
Eta branco sujão
Análise da música:
A mão da limpeza
A música de Gilberto Gil, "A mão da limpeza”, mostra a condição de preconceito e exclusão social em que vivem os negros que mesmo depois da abolição da escravidão na sociedade brasileira são tratados como seres inferiores e no mercado de trabalho ocupam o lugar subalterno, com menor renumeração.
A música faz uma crítica ao ditado
popular racista, criado pelo branco que diz:” o negro quando não suja na
entrada vai sujar na saída”. Na verdade, o que o branco considera sujo é a própria
existência do negro, sua condição humana.
Para Nina Rodrigues" o negro e o mestiço eram chagas da nossa nacionalidade e tinham tendência ao crime". Voltando a música, realmente os sujos são os brancos de corpo e alma com todas suas manchas no decorrer da história da civilização ao exterminar, escravizar e explorar povos. |
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