"Coronelismo, mandonismo, patriarcalismo, personalismo, clientelismo e até mesmo populismo (embora este surja no Brasil republicano e de forma incisiva no período Vargas) são alguns dos “ismos” que se fizeram presentes na história da organização política do país, servindo às elites como mecanismos de cooptação, coerção, e de legitimação de seu poder, isto é, como instrumento para seu acesso e manutenção do comando do Estado."
Paulo Silvino Ribeiro
O antropólogo Roberto da Matta em seu
livro Carnavais Malandros e Heróis discute o tema da malandragem, clientelismo
e autoritarismo marcas do nosso passado histórico, no contexto contemporâneo
brasileiro. Na sua visão o país é marcado pelos contrates e contradições onde às
relações sociais serão feitas pelo aspecto do emocional então a troca de
favores, assim como a conhecida e ameaçadora
pergunta: Você sabe com quem está falando? É que vai prevalecer, nas relações para burlar as leis e as regras
dando um “jeitinho brasileiro em tudo”.
Para ele a malandragem está presente nas ações cotidianas da sociedade, furar o sinal de transito, usar seu cargo para obter vantagens pessoais seria exemplos disso, mas essas ações de "jeitinhos"só são enxergadas no outro e por isso as pessoas particulariza o seu caso como especial não necessitando cumprir as leis porque tinha motivos que justifica não cumprir, então posso furar o sinal porque estou atrasado. Esse brasileiro ver a rua
como espaço público sendo de todos que acaba não sendo de ninguém assim, só é necessário
seguir as leis se houver a presença da autoridade para obrigar a fazer sobre pena de punições,
teremos então um espaço de conflitos. dessa forma, se torna necessário a negociação entre
iguais e desiguais, já a convivência em família é um espaço privado sendo necessário
ter proteção e favorecimento.
Nesse aspecto analisar as relações da sociedade brasileira com os políticos é perceber o descredito total, acredita-se que "todo politico é ladrão" e corrupto uma denominação evoluída do "jeitinho" que é mais grave e dessa forma não vale a pena participar da vida politica do país, deixando o caminho livre para a elite agir colocando seus representantes no poder. A corrupção então ficou associada a coisa de politico, essa visão disseminada na mídia neoliberal brasileira é colocada para não se dar credito a politica pois, através dela poderíamos mudar a sociedade se os sujeitos sociais ocupassem os espaços de poder, através da democracia participativa. Participamos da democracia representativa ao eleger os políticos para os cargos, mas, durante todo o mandato não exercemos a democracia participativa, atuando nos conselhos fiscalizando as ações dos representantes, fazendo manifestações em massa, para pressionar a mudança que queremos.

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