domingo, 19 de janeiro de 2014

Desafios para a mulher brasileira no sentido de ser necessaria a construção de uma nova identidade



                                                                       
As mulheres mesmo após terem conquistado espaço no mercado de trabalho continua com o trabalho domestico como responsabilidade exclusiva, assumindo então uma dupla jornada de trabalho sem ganhar nada a mais por isso, pois a sociedade capitalista não ver as funções domesticas como trabalho esse e estereótipo de que “lugar de mulher é na cozinha” é ditado ainda hoje por uma sociedade mergulhada no machismo.
A construção da feminilidade que atribui a mulher características como sensível, amorosa e frágil está relacionada com a responsabilização das mulheres com o trabalho domestico e no cuidado com os filhos, isentando os homens de tal tarefa. É aceito socialmente que as mulheres devem cuidar da família por amor.
No Brasil, ainda não conseguimos nos livrar das raízes patriarcais, do coronelismo, da subserviência das mulheres para com os seus maridos coronéis, estes, dono de grandes latifúndios onde mantinham sobre seu domínio, os escravos, sua mulher, agregados e  seus filhos com forte poder sobre a vida social no qual mantinha o povo como massa de manobra de seus interesses privados. Dessa forma, a mulher era tida como uma propriedade da fazenda, desempenhando uma função socialmente determinada de procriar e cuidar da casa.
Em casa grande senzala Gilberto Freyre consegue descrever como se dava essa relação da família patriarcal que se formou aqui no Brasil. Nascida da escravidão, na mistura do negro índio e branco onde nessa relação havia a presença muito forte da hierarquia patriarcal, a mulher negra se torna ainda mais subalternizada, pois na ordem hierárquica primeiro vem o homem branco, depois a mulher branca posteriormente o homem negro e por ultimo a mulher negra que carrega desde os tempos coloniais as marcas da exploração, humilhação e opressão sobre si. Os senhores de engenho tratava essas mulheres escravas como objeto sexual para satisfação pessoal, descrita na obra de Freyre foi desnudado a sexualidade brasileira nos tempos coloniais. O autor descreve essa relação como consensual, sendo de vontade própria da escrava se entregar aos brancos, usando o termo “escravas passivas”, mas, como pensar que essas mulheres tinham alguma escolha diante da sua condição de mulher e especificamente escrava, tirada de si toda a condição de ser humano dotado de vontade e liberdade para escolhas, numa formação social aristocrata, patriarcal e escravista? 
 Nessas tentativas de se criar uma identidade brasileira temos hoje a figura da mulata brasileira associado a sexualidade, agora vendida com amarras mais sutis e invisíveis, destacando o papel da mídia especialmente no período do carnaval onde a TV promove concurso de beleza com mulheres negras seminuas sambando exibindo seus corpos sensuais. Essas mulheres em busca de condições melhores de vida, busca pelo sucesso, reconhecimento social se submetem a tais espetáculos sem enxergar a essência que se esconde por trais de tal ato, pois em um país sem educação que emancipe o sujeito onde não se discute as reais condições sociais e contraditórias do país, tem sua historia contada de cima para baixo fica difícil imaginar uma outra atitude dessas mulheres.
Dada essas condições, a mulher brasileira especialmente a negra assume um desafio ainda maior, vencer as barreiras do racismo que as coloca em condições ainda piores que as mulheres brancas.      
As múltiplas facetas da discriminação se apresentam nas “verdades” ditas sem uma reflexão, forjada no senso comum e sem perceber muitas vezes as próprias vitimas de certa maneira, se deixam levar por essas verdades, começam a acreditar e aceitar.
Dessa forma se faz necessário desconstruir o modelo de opressão e discriminação que historicamente foi relegado a mulher brasileira, especialmente a mulher negra que teve sua historia marcada por uma sociedade machista, classista e racista isso pode se dar atrás do reconhecimento de sua historia para desconstrução da identidade atribuída na perspectiva da criação de sua própria identidade.

por jane oliveira

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