As mulheres mesmo após terem conquistado espaço no mercado de trabalho continua com o trabalho domestico como responsabilidade exclusiva, assumindo então uma dupla jornada de trabalho sem ganhar nada a mais por isso, pois a sociedade capitalista não ver as funções domesticas como trabalho esse e estereótipo de que “lugar de mulher é na cozinha” é ditado ainda hoje por uma sociedade mergulhada no machismo.
A construção da feminilidade que atribui a mulher
características como sensível, amorosa e frágil está relacionada com a
responsabilização das mulheres com o trabalho domestico e no cuidado com os
filhos, isentando os homens de tal tarefa. É aceito socialmente que as mulheres
devem cuidar da família por amor.
No Brasil, ainda não conseguimos nos livrar das
raízes patriarcais, do coronelismo, da subserviência das mulheres para com os
seus maridos coronéis, estes, dono de grandes latifúndios onde mantinham sobre
seu domínio, os escravos, sua mulher, agregados e seus filhos com forte poder sobre a vida
social no qual mantinha o povo como massa de manobra de seus interesses
privados. Dessa forma, a mulher era tida como uma propriedade da fazenda,
desempenhando uma função socialmente determinada de procriar e cuidar da casa.
Em casa grande senzala Gilberto Freyre consegue descrever
como se dava essa relação da família patriarcal que se formou aqui no Brasil. Nascida
da escravidão, na mistura do negro índio e branco onde nessa relação havia a
presença muito forte da hierarquia patriarcal, a mulher negra se torna ainda
mais subalternizada, pois na ordem hierárquica primeiro vem o homem branco, depois
a mulher branca posteriormente o homem negro e por ultimo a mulher negra que
carrega desde os tempos coloniais as marcas da exploração, humilhação e opressão
sobre si. Os senhores de engenho tratava essas mulheres escravas como objeto
sexual para satisfação pessoal, descrita na obra de Freyre foi desnudado a sexualidade
brasileira nos tempos coloniais. O autor descreve essa relação como consensual,
sendo de vontade própria da escrava se entregar aos brancos, usando o termo “escravas
passivas”, mas, como pensar que essas mulheres tinham alguma escolha diante da
sua condição de mulher e especificamente escrava, tirada de si toda a condição
de ser humano dotado de vontade e liberdade para escolhas, numa formação social
aristocrata, patriarcal e escravista?
Nessas tentativas
de se criar uma identidade brasileira temos hoje a figura da mulata brasileira
associado a sexualidade, agora vendida com amarras mais sutis e invisíveis,
destacando o papel da mídia especialmente no período do carnaval onde a TV promove
concurso de beleza com mulheres negras seminuas sambando exibindo seus corpos
sensuais. Essas mulheres em busca de condições melhores de vida, busca pelo
sucesso, reconhecimento social se submetem a tais espetáculos sem enxergar a essência
que se esconde por trais de tal ato, pois em um país sem educação que emancipe
o sujeito onde não se discute as reais condições sociais e contraditórias do país,
tem sua historia contada de cima para baixo fica difícil imaginar uma outra atitude
dessas mulheres.
Dada essas condições, a mulher brasileira especialmente
a negra assume um desafio ainda maior, vencer as barreiras do racismo que as
coloca em condições ainda piores que as mulheres brancas.
As múltiplas facetas da discriminação se apresentam
nas “verdades” ditas sem uma reflexão, forjada no senso comum e sem perceber muitas
vezes as próprias vitimas de certa maneira, se deixam levar por essas verdades,
começam a acreditar e aceitar.
Dessa forma se faz necessário desconstruir o modelo
de opressão e discriminação que historicamente foi relegado a mulher brasileira,
especialmente a mulher negra que teve sua historia marcada por uma sociedade
machista, classista e racista isso pode se dar atrás do reconhecimento de sua historia
para desconstrução da identidade atribuída na perspectiva da criação de sua própria
identidade.
por jane oliveira
por jane oliveira
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