Toda essa história nos permite compreender os esteriótipos e as atribuições preconceituosas criadas em torno da figura da mulher e do homem negra/o, essencializados no pensamento social brasileiro. Este pensamento, inclusive legitimado pela cultura intelectual do século XX, foi rejeitada por Gilberto Freyre em "Casa Grande & Senzala", sua clássica obra de interpretação da realidade brasileira. As ideias de valorização do negro e da cultura afro-brasileira postuladas por Freyre se contrapunham às construções intelectuais defendidas pelo sociólogo Oliveira Viana (autor de Populações Meridionais do Brasil) e outros nomes da época. As concepções raciais baseadas em determinismos climáticos associavam o "atraso" do Brasil ao clima tropical e às populações mestiças. Freyre, em contrapartida, demonstrou que o "atraso" do país estava diretamente relacionado as causas sociais de higiene e alimentação. Ao contrário dos intelectuais de sua época, que desconsideravam as manifestações populares, Gilberto Freyre reconheceu as particularidades da cultura brasileira, caracterizadas pelo sincretismo e criticou as construções preconceituosas que reafirmavam, a partir do racismo científico, a inferioridade dos negros, índios e mestiços e a visão negativista do país defendida pela elite e pelos intelectuais. Suas ideias representaram uma contundente crítica ao racismo na medida em que buscou desconstruir a afirmação da superioridade de uma raça sobre outra, mesmo que considerasse a existência de uma gradação hierárquica entre diferentes culturas.
segunda-feira, 27 de janeiro de 2014
Documentário: A história do racismo.
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