Diante de
tal realidade marcada historicamente pela escravidão, em que o lugar reservado
pela elite a esse “povo” foi as favelas, criar tipos estereotipados se torna
uma forma ideológica de criminalizar a “classe perigosa” que representa uma ameaça
aos privilégios da classe elitista. Somos então levados a acreditar que essas
pessoas são preguiçosas, não possuem aptidão para o trabalho e que dessa forma
não estão habilitadas a viver em sociedade; pois as práticas de querer levar
vantagem em tudo, atribuídas à figura do “malandro”, são dadas como naturais e
desassociadas da realidade histórica e social em que isso se deu.
Já na
representação social da mulher, a mídia a apresenta como símbolo de
sensualidade e objeto de desejo sexual masculino. Este pensamento é, inclusive,
exportado para outros países com a intenção de atrair turistas. Por influência
dos meios de comunicação de massa, desde cedo as mulheres são levadas a crer
que seus atributos físicos podem representar uma “oportunidade” de “se dar bem
na vida”. Tal comportamento
frequentemente acaba levando muitas mulheres a engravidar de forma precoce, além
de contraírem doenças sexualmente transmissíveis ou ainda recorrer à
prostituição como forma de sobrevivência, o que torna evidente algumas das expressões
da questão social em nosso país.
Numa
sociedade marcada pelo patriarcalismo que sempre preservou a subserviência das
mulheres para com os homens, deixa transbordar o machismo quando o assunto é a
mulher brasileira. Assim é que se pode pensar na gênese desses discursos que se
espalham por nossa sociedade. Diversos mitos são criados com um víeis
ideológico elitizado com a intenção de se manter o “status quo”,
criminalizando, e principalmente desmoralizando as classes subalternizadas para
conservar o poder dominante e nesse caso, dominar a força de trabalho desse
povo por baixa remuneração, bem como negar-lhes o direito de pensar sua
condição na sociedade.

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