segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

O Brasil e sua identidade


Historicamente caracterizado pela diversidade cultural, o Brasil teve a necessidade de criar um modelo de nação brasileira. Dessa forma, se buscou nas expressões cotidianas as características mais marcantes de uma identidade nacional, encontrando entre elas a figura do malandro, um sujeito “bem alinhado”, citado com frequência nas letras de sambas e conhecido por sua engenhosidade bem como pela sutileza com que consegue obter benefícios pessoais, ignorando as regras sociais. Quanto a mulher, esta será evidenciada levando em conta seus atributos físicos e sua sensualidade, exaltando seus corpos de mulatas seminus.  
Diante de tal realidade marcada historicamente pela escravidão, em que o lugar reservado pela elite a esse “povo” foi as favelas, criar tipos estereotipados se torna uma forma ideológica de criminalizar a “classe perigosa” que representa uma ameaça aos privilégios da classe elitista. Somos então levados a acreditar que essas pessoas são preguiçosas, não possuem aptidão para o trabalho e que dessa forma não estão habilitadas a viver em sociedade; pois as práticas de querer levar vantagem em tudo, atribuídas à figura do “malandro”, são dadas como naturais e desassociadas da realidade histórica e social em que isso se deu.
Já na representação social da mulher, a mídia a apresenta como símbolo de sensualidade e objeto de desejo sexual masculino. Este pensamento é, inclusive, exportado para outros países com a intenção de atrair turistas. Por influência dos meios de comunicação de massa, desde cedo as mulheres são levadas a crer que seus atributos físicos podem representar uma “oportunidade” de “se dar bem na vida”.  Tal comportamento frequentemente acaba levando muitas mulheres a engravidar de forma precoce, além de contraírem doenças sexualmente transmissíveis ou ainda recorrer à prostituição como forma de sobrevivência, o que torna evidente algumas das expressões da questão social em nosso país.
Numa sociedade marcada pelo patriarcalismo que sempre preservou a subserviência das mulheres para com os homens, deixa transbordar o machismo quando o assunto é a mulher brasileira. Assim é que se pode pensar na gênese desses discursos que se espalham por nossa sociedade. Diversos mitos são criados com um víeis ideológico elitizado com a intenção de se manter o “status quo”, criminalizando, e principalmente desmoralizando as classes subalternizadas para conservar o poder dominante e nesse caso, dominar a força de trabalho desse povo por baixa remuneração, bem como negar-lhes o direito de pensar sua condição na sociedade.                 




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