O Brasil é conhecido por
todo mundo como país do futebol, isto é, reproduzido de geração em geração. Segundo
Jessé Souza" o “mito nacional” é a forma moderna por excelência para a produção
de um sentimento de “solidariedade coletiva” e que juntos formamos uma unidade.”
Neste ano de copa do mundo a
mídia reforça ainda mais o sentimento de “pertencimento coletivo” para
justificar os investimentos na copa do mundo. O governo está gastando bilhões com os preparativos para copa do mundo, e
os serviços públicos como educação e saúde, estão em situações precárias. A população
que necessita do SUS está morrendo por falta de investimentos na saúde pública,
faltam médicos, UTIs, leitos, medicações etc. Os políticos brasileiros precisam cumprir suas promessas de campanha, pois foram eleitos para representarem o povo.
A educação pública é outro
problema grave em que os governantes não têm interesse em investir. Todos que chegam ao poder o discurso é o mesmo, que
vão investir na educação e saúde e terminam o mandato e a situação continua a mesma, isto é, uma grande malandragem dos políticos para chegarem ao poder.
O Brasil pode ser 10 no
futebol, pois é o único país penta campeão do mundo, mas é zero na educação e
saúde.
O tema da malandragem predominou na música popular brasileira até os anos 30, constituindo o assunto predileto do compositor popular urbano. Nesta época, havia uma visível disparidade no pensamento social brasileiro entre valores relacionados ao trabalho sistemático e rotineiro, que emerge com as primeiras tentativas empreendidas pelo governo de Getúlio Vargas de industrializar o Brasil e a vida descompromissada com tais valores e pautada no modo boêmio de viver, encarada como fonte de felicidade. Ao exibir e elevar a figura do malandro, que acaba por constituir-se enquanto modo de vida, a música popular exerceu uma contundente crítica à vida na cidade grande e repercutiu, sobretudo, entre os trabalhadores mais pobres. Apesar das transformações político-econômicas e sócio-culturais empreendidas nesse período histórico por meio da industrialização, as desigualdades sociais ainda continuavam a se reproduzir consoante ao processo de modernização. Desse modo, o samba, bem representado pela canção "Cabide de Molambo", composta por João da Baiana, em 1917 e gravado em 1932, traduz então um descrédito na possibilidade de ascensão social através do trabalho, tal como estava organizado na emergente sociedade capitalista.
Roberto D'Matta, em sua obra "O que faz o brasil, Brasil?" trata da questão da malandragem como figura indissociável de aspectos relativos a formação da nossa sociedade. O autor aponta, dentre outras observações, que as leis e regras criadas no Brasil não condizem com a realidade da sociedade e que dessa forma não contemplam as necessidades da mesma, diferentemente de países como EUA e demais países europeus, apontados pelo próprio autor. Para ele o cidadão no Brasil é explorado, a lei não vale igualmente para todos os indivíduos e alguns acabam por ter mais privilégios que outros, como podemos observar no trecho a seguir: "Isso que ocorre diariamente no Brasil, quando, digamos, um bacharel comete um assassinato e tem direito a prisão especial e um operário, diante da mesma lei, não tem tal direito porque não é, obviamente, bacharel...". (Freire, 1933, p.61)
Na análise do autor as leis no Brasil "sempre significam um "não pode!" formal, capaz de tirar todos os prazeres e desmanchar todos os projetos e iniciativas." Desse modo é que D'Matta identifica a gênese do jeitinho brasileiro materializado na figura do malandro, como bem podemos perceber em mais um trecho de sua obra: "Ora, é precisamente por tudo isso que conseguimos descobrir e aperfeiçoar um modo, um jeito, um estilo de navegação social que passa sempre nas entrelinhas desses peremptórios e autoritários “não pode!”. Assim, entre o “pode” e o “não pode”, escolhemos, de modo chocantemente antilógico, mas singularmente brasileiro, a junção do “pode” com o “não pode”. Pois bem, é essa junção que produz todos os tipos de “jeitinhos” e arranjos que fazem com que possamos operar um sistema legal que quase sempre nada tem a ver com a realidade social." (Freire, 1933, p.62)
Este documentário narra a história do racismo desde a sua constituição (aprox. entre os séculos XVI e XVII) até os dias atuais. Pretende demonstrar, a partir de fundamentos sócio-históricos, a origem de todas as formas de violência, opressão, dominação e violação de direitos destinada a determinados grupos humanos, em razão de um projeto de dominação emergente. Este fato explica o racismo na sociedade atual e os estigmas construídos ao longo de séculos em torno desses povos, como estratégia de manter o domínio então estabelecido, onde o racismo, serviu e continua a servi, agora sob nova roupagem, como base de justificação para estabelecimento do mesmo.
Toda essa história nos permite compreender os esteriótipos e as atribuições preconceituosas criadas em torno da figura da mulher e do homem negra/o, essencializados no pensamento social brasileiro. Este pensamento, inclusive legitimado pela cultura intelectual do século XX, foi rejeitada por Gilberto Freyre em "Casa Grande & Senzala", sua clássica obra de interpretação da realidade brasileira. As ideias de valorização do negro e da cultura afro-brasileira postuladas por Freyre se contrapunham às construções intelectuais defendidas pelo sociólogo Oliveira Viana (autor de Populações Meridionais do Brasil) e outros nomes da época. As concepções raciais baseadas em determinismos climáticos associavam o "atraso" do Brasil ao clima tropical e às populações mestiças. Freyre, em contrapartida, demonstrou que o "atraso" do país estava diretamente relacionado as causas sociais de higiene e alimentação. Ao contrário dos intelectuais de sua época, que desconsideravam as manifestações populares, Gilberto Freyre reconheceu as particularidades da cultura brasileira, caracterizadas pelo sincretismo e criticou as construções preconceituosas que reafirmavam, a partir do racismo científico, a inferioridade dos negros, índios e mestiços e a visão negativista do país defendida pela elite e pelos intelectuais. Suas ideias representaram uma contundente crítica ao racismo na medida em que buscou desconstruir a afirmação da superioridade de uma raça sobre outra, mesmo que considerasse a existência de uma gradação hierárquica entre diferentes culturas.
Desde a época do Brasil Colônia, a mulher negra brasileira era vista como objeto de exploração. Naquele período, eram frequentes as situações em que as escravas eram obrigadas a manterem relações sexuais com seus senhores, por entenderem que seus corpos lhes pertenciam, uma vez que estes homens os haviam comprado como uma mera mercadoria e poderiam fazer o que quisessem e por isso praticavam todo tipo de barbárie sexual com essas mulheres, inclusive eram frequentes os casos em que os filhos desses senhores de escravos tinham suas primeiras experiências sexuais com as jovens negras, com total incentivo da figura paterna. As negras eram tratadas como objetos de prazer e por medo de represálias ou mesmo em alguns casos por “conveniência” cediam aos caprichos sexuais de seus “donos”. Na contemporaneidade, mesmo quase dois séculos, após a abolição da escravatura, ainda persiste no imaginário do povo brasileiro a ideia da mulata como objeto sexual, e tal mito é propagado pela mídia que insiste em apresentar a figura da mulher negra ou mulata brasileira de forma pejorativa, apenas evidenciando seus atributos físicos sem levar em consideração as demais qualidades existentes. É possível constatar essas situações através de programas como nos apresentados nas figuras acima, a exemplo do concurso realizado para escolha da Globeleza 2014, em que assim como no período da escravidão, a mulher negra aparece como uma mercadoria sexual a mercê de uma sociedade machista.
"Coronelismo, mandonismo, patriarcalismo, personalismo, clientelismo e até mesmo populismo (embora este surja no Brasil republicano e de forma incisiva no período Vargas) são alguns dos “ismos” que se fizeram presentes na história da organização política do país, servindo às elites como mecanismos de cooptação, coerção, e de legitimação de seu poder, isto é, como instrumento para seu acesso e manutenção do comando do Estado."
Paulo Silvino Ribeiro
O antropólogo Roberto da Matta em seu
livro Carnavais Malandros e Heróis discute o tema da malandragem, clientelismo
e autoritarismo marcas do nosso passado histórico, no contexto contemporâneo
brasileiro. Na sua visão o país é marcado pelos contrates e contradições onde às
relações sociais serão feitas pelo aspecto do emocional então a troca de
favores, assim como a conhecida e ameaçadora
pergunta:Você sabe com quem está falando? É que vai prevalecer, nas relações para burlar as leis e as regras
dando um “jeitinho brasileiro em tudo”.
Para ele a malandragem está presente nas ações cotidianas da sociedade, furar o sinal de transito, usar seu cargo para obter vantagens pessoais seria exemplos disso, mas essas ações de "jeitinhos"só são enxergadas no outro e por isso as pessoas particulariza o seu caso como especial não necessitando cumprir as leis porque tinha motivos que justifica não cumprir, então posso furar o sinal porque estou atrasado. Esse brasileiro ver a rua
como espaço público sendo de todos que acaba não sendo de ninguém assim, só é necessário
seguir as leis se houver a presença da autoridade para obrigar a fazer sobre pena de punições,
teremos então um espaço de conflitos. dessa forma, se torna necessário a negociação entre
iguais e desiguais, já a convivência em família é um espaço privado sendo necessário
ter proteção e favorecimento.
Nesse aspecto analisar as relações da sociedade brasileira com os políticos é perceber o descredito total, acredita-se que "todo politico é ladrão" e corrupto uma denominação evoluída do "jeitinho" que é mais grave e dessa forma não vale a pena participar da vida politica do país, deixando o caminho livre para a elite agir colocando seus representantes no poder. A corrupção então ficou associada a coisa de politico, essa visão disseminada na mídia neoliberal brasileira é colocada para não se dar credito a politica pois, através dela poderíamos mudar a sociedade se os sujeitos sociais ocupassem os espaços de poder, através da democracia participativa. Participamos da democracia representativa ao eleger os políticos para os cargos, mas, durante todo o mandato não exercemos a democracia participativa, atuando nos conselhos fiscalizando as ações dos representantes, fazendo manifestações em massa, para pressionar a mudança que queremos.
As mulheres mesmo após terem conquistado espaço no
mercado de trabalho continua com o trabalho domestico como responsabilidade
exclusiva, assumindo então uma dupla jornada de trabalho sem ganhar nada a mais
por isso, pois a sociedade capitalista não ver as funções domesticas como
trabalho esse e estereótipo de que “lugar de mulher é na cozinha” é ditado
ainda hoje por uma sociedade mergulhada no machismo.
A construção da feminilidade que atribui a mulher
características como sensível, amorosa e frágil está relacionada com a
responsabilização das mulheres com o trabalho domestico e no cuidado com os
filhos, isentando os homens de tal tarefa. É aceito socialmente que as mulheres
devem cuidar da família por amor.
No Brasil, ainda não conseguimos nos livrar das
raízes patriarcais, do coronelismo, da subserviência das mulheres para com os
seus maridos coronéis, estes, dono de grandes latifúndios onde mantinham sobre
seu domínio, os escravos, sua mulher, agregados e seus filhos com forte poder sobre a vida
social no qual mantinha o povo como massa de manobra de seus interesses
privados. Dessa forma, a mulher era tida como uma propriedade da fazenda,
desempenhando uma função socialmente determinada de procriar e cuidar da casa.
Em casa grande senzala Gilberto Freyre consegue descrever
como se dava essa relação da família patriarcal que se formou aqui no Brasil. Nascida
da escravidão, na mistura do negro índio e branco onde nessa relação havia a
presença muito forte da hierarquia patriarcal, a mulher negra se torna ainda
mais subalternizada, pois na ordem hierárquica primeiro vem o homem branco, depois
a mulher branca posteriormente o homem negro e por ultimo a mulher negra que
carrega desde os tempos coloniais as marcas da exploração, humilhação e opressão
sobre si. Os senhores de engenho tratava essas mulheres escravas como objeto
sexual para satisfação pessoal, descrita na obra de Freyre foi desnudado a sexualidade
brasileira nos tempos coloniais. O autor descreve essa relação como consensual,
sendo de vontade própria da escrava se entregar aos brancos, usando o termo “escravas
passivas”, mas, como pensar que essas mulheres tinham alguma escolha diante da
sua condição de mulher e especificamente escrava, tirada de si toda a condição
de ser humano dotado de vontade e liberdade para escolhas, numa formação social
aristocrata, patriarcal e escravista?
Nessas tentativas
de se criar uma identidade brasileira temos hoje a figura da mulata brasileira
associado a sexualidade, agora vendida com amarras mais sutis e invisíveis,
destacando o papel da mídia especialmente no período do carnaval onde a TV promove
concurso de beleza com mulheres negras seminuas sambando exibindo seus corpos
sensuais. Essas mulheres em busca de condições melhores de vida, busca pelo
sucesso, reconhecimento social se submetem a tais espetáculos sem enxergar a essência
que se esconde por trais de tal ato, pois em um país sem educação que emancipe
o sujeito onde não se discute as reais condições sociais e contraditórias do país,
tem sua historia contada de cima para baixo fica difícil imaginar uma outra atitude
dessas mulheres.
Dada essas condições, a mulher brasileira especialmente
a negra assume um desafio ainda maior, vencer as barreiras do racismo que as
coloca em condições ainda piores que as mulheres brancas.
As múltiplas facetas da discriminação se apresentam
nas “verdades” ditas sem uma reflexão, forjada no senso comum e sem perceber muitas
vezes as próprias vitimas de certa maneira, se deixam levar por essas verdades,
começam a acreditar e aceitar.
Dessa forma se faz necessário desconstruir o modelo
de opressão e discriminação que historicamente foi relegado a mulher brasileira,
especialmente a mulher negra que teve sua historia marcada por uma sociedade
machista, classista e racista isso pode se dar atrás do reconhecimento de sua historia
para desconstrução da identidade atribuída na perspectiva da criação de sua própria
identidade. por jane oliveira
Chico Buarque de Holanda mostra através dessa musica, uma
versão desse malandro brasileiro na atualidade que se encaixa no político que
consegue através da malandragem e do jeitinho brasileiro favorecimento pessoal.
Autores como Gilberto Freyre e Sérgio Buarque de Holanda
trataram da construção da identidade brasileira em suas obras. No
livro Raízes do Brasil de Sérgio Buarque de Holanda é
abordado como se constituiu o mito dabrasilidade,
para ele a cultura da pessoalidade é que faz com que o público se confunda com
o privado, junto com a herança patriarcal e a rural e só através do
rompimento dessas relações familiares é que o individuo se
tornaria um cidadão. Descreve o conceito de "homem cordial"
que não pressupõe bondade especificamente, mas, comportamento de aparência
afetiva externa dominada pelas emoções, tornando esse homem inadequado às relações impessoais
que tinha na sociedade europeia, considerada exemplo para ele.
Influenciado pelas teorias raciais enxerga a
sociedade dividida por raças, assim como, a desigualdade entre elas
é algo negativo destacando o negro como uma raça inferior.
Já em Gilberto Freyre no seu livro Casa Grande
e Senzala vai destacar a participação do negro na cultura brasileira com
a culinária, a dança, a musica entre outros, colocando o aspeto da miscigenação
como algo positivo e substituindo a denominação de raça por cultura.